Drª Jaqueline Cherulli, presidente da diretoria Estadual da ADFAS no Mato Grosso, proferiu palestra sobre “A Guarda Compartilhada em caso de violência doméstica e familiar contra a mulher”

25.08.16- Jaqueline-Cherulli

A interação entre especialistas e acadêmicos foi o propósito da palestra ‘A Guarda Compartilhada em caso de violência doméstica e familiar contra a mulher’, proferida pela juíza da 3ª Vara de Família e Sucessões de Várzea Grande, Jaqueline Cherulli, durante programação da campanha Justiça pela Paz em Casa 2016, realizada no auditório do Fórum de Cuiabá, na última sexta-feira (19 de agosto).

Durante a palestra, a magistrada destacou a importância do tema. “Esta é uma área do Direito que precisa de pessoas muitos comprometidas, afinal, lida diretamente com a vida, com a família. O entendimento entre homem e mulher afeta diretamente o futuro dos filhos, por isso é tão relevante tratar sobre a guarda compartilhada. As crianças não podem pagar o preço da dissolução do casamento”.

Cherulli explanou para os estudantes a legislação que rege a guarda compartilhada, citando que culturalmente a guarda dos filhos sempre foi da genitora, mas em 2014, passou-se a aplicar a efetividade da legislação de compartilhamento. A magistrada mencionou a visão sistêmica do direito da família e os aspectos que necessitam ser analisados para a solução de conflitos, pontuando que não há como tratar do assunto sem fazer ligação com a alienação parental.

Para ilustrar a situação, a juíza passou um vídeo produzido pelo Tribunal de Justiça do Estado, de um caso de alienação parental. Enfatizou, entre outras questões, a residência-base da criança, a obrigação alimentar, o direito à supervisão do filho, o tempo de convívio de ambos com a criança. Assim como o que ocorre quando o pai ou mãe descumprem o que foi acordado pela guarda.

Complementando a discussão, o juiz da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, Jamilson Haddad Campos, falou sobre alienação parental. “Muitas vezes, as pessoas não se percebem alienador ou alienado. Ex-cônjuges não entendem que ao tentar afetar o outro, na verdade estão prejudicando o filho. E essas questões podem trazer uma repetição de padrão negativo vivido”.

Ele explicou ainda que a conduta de impingir dor ao ‘ex’ provoca uma vivência de extremo estresse na criança, um dos três graus de alienação. A exemplo da qualificação negativa do genitor ou genitora, dificultar o acesso do outro ao filho e a informações do mesmo. “Estudos apontam que mais de 82% das pessoas que sofreram alienação parental vão repetir a prática destrutiva. Por isso é preciso refletir, essa atitude maléfica não lesiona apenas a criança, mas a sociedade como um todo porque resulta em relações doentes”, concluiu.

Ao final do evento, os universitários receberam certificados de participação.