Justiça de Alagoas pacifica conflitos familiares com procedimento psicológico

Utilizado desde o final de 2015, método da Constelação Familiar auxilia na compreensão do cidadão sobre como resolver seus problemas.

Solucionar conflitos familiares está entre as missões da Justiça. Uma das formas utilizadas pelo Judiciário de Alagoas para isso é a Constelação Familiar, uma nova ferramenta que auxilia na identificação do problema que gera o conflito, trazendo benefícios que vão além do julgamento. A técnica vem sendo utilizada desde o final de 2015.

O desembargador Domingos Neto, coordenador até agosto do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Njus), explica que para pacificar as partes, é mais desejável desfazer os conflitos, em vez de impor uma sentença.

“É preferível que o conflito seja resolvido com a participação e construção da solução pelas partes, para assim ter uma efetiva resolução do conflito”, disse o desembargador. Atualmente, o Njus é coordenado pelo  desembargador Celyrio Adamastor.

A visão sistêmica desta ferramenta permite que os familiares busquem uma solução para o problema de maneira que possibilite a reconstrução das relações, fazendo com que eles percebam a importância que cada membro possui no âmbito familiar. O procedimento, que só é realizado se houver interesse das pessoas, consiste em ouvir as partes do processo com o objetivo de coletar informações pessoais que possam identificar a origem dos conflitos.

Além do fundamento da Psicologia, o método exige formação e sensibilidade de quem aplica a técnica. “Estamos utilizando a Constelação em alguns conflitos familiares que não tem como serem resolvidos pela Conciliação ou por outros métodos que utilizamos no Centro Judiciário”, comentou Moacyra Rocha, servidora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Njus).

A ferramenta possui ainda o caráter educativo e pacificador, já que possibilita ao cidadão que construa, junto aos outros interessados, a solução dos conflitos, sem a imposição de uma sentença. “Esse viés do Judiciário de olhar para o cidadão como uma pessoa que ela é e não apenas uma parte, faz com que ele se sinta acolhido e possibilita que ele aprenda a resolver seus próprios conflitos”, destacou Yulli Roter Maia, juiz da 2ª Vara Cível de União dos Palmares.